“ Quer viver uma aventura fora do casamento? No Gleeden para trair é só entrar. Sem mentiras ou riscos desnecessários”Este é o título de um dos artigos da revista Happy deste mês. Em 5 páginas, o artigo explica como aceder a um site cuja empresa pretende juntar pessoas que desejam trair o companheiro. Isso mesmo. TRAIR o companheiro.
Segundo a revista Happy, o site está a funcionar desde Janeiro em 158 países e já tem mais de 160 mil pessoas inscritas. Só portugueses são mais de dois mil (mostrando que o facto de o site não estar a operar no nosso idioma não constitui um impedimento na hora de procurar com quem viver uma aventura fora do casamento).
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A cada dia aparecem entre duas a cinco mil novas pessoas que querem ser infiéis”, garante á happy Teddy Truchot, um dos directores da sociedade Americana criadora do site.
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Os homens estão em maioria mas as mulheres constituem 32 por cento dos membros” explica.
Muito mais avançado do que a velha técnica dos encontros á hora do almoço num qualquer hotel, este novo serviço é muito simples de ser requisitado. Basta entrar no site (
www. Gleeden.com), inscrever-se, traçar o seu perfil (que pode incluir diferentes níveis de permissão de acesso) e através das ferramentas de comunicação disponibilizadas (private book, instant messaging ou email) pode descobrir o homem/mulher comprometido(a) com quem gostaria de ter um caso. E são muitos e de diversas nacionalidades aqueles que há para escolher: portugueses
, espanhóis, franceses, italianos… “tudo sem mentiras e com a maior segurança”.
O mais curioso é que apesar de cobrar valores diferentes, segundo um sistema de créditos que varia de 7 a 900 euros em função do período de tempo da inscrição, o site oferece um período promocional apenas para o sexo feminino.
Cerca de 5 paginas depois, encontrei na mesma revista conclusões de um inquérito feito a 300 mulheres:Já foi infiel?
- sim: 45%
- não: 55%
Contou ao parceiro?
- sim: 21%
- não: 79%
Voltaria a ser infiel?
- sim: 36%
- não: 64%
Perdoaria uma infidelidade?
- não: 61%
- sim: 39%
Já foi traída?
- sim: 51 %
- não: 49%
Preferia ser traída com:
- um homem: 37%
- uma mulher: 63%É verdade que a infidelidade continua (cada vez mais) a afectar todos os casais, apesar de se manter como um assunto tabu, mas este artigo é qualquer coisa que não consigo perceber. Bem sei que o mundo/sociedade evoluiu e que muitos casais hoje em dia optam, com o consentimento do parceiro, por trazer para a relação uma ou mais pessoas para quebrar a rotina, mas por muito que tente nunca vou perceber o acto intencional da traição, isto é, toda aquela vontade e consciência que está a volta do acto.
Hoje a traição passou a ser apenas uma troca de fluidos arrebatados com uma terceira pessoa. Deixou de ser uma expressão inequívoca de desrespeito para quem está ao nosso lado. “Consigo resistir a tudo menos á traição”, disse Óscar Wilde.
A tentação de prevaricar corre no sangue de qualquer ser humano e pode ser englobada em pelo menos dois pecados capitais: o da gula e o da luxúria.
Acredito piamente que não devemos dizer nunca a nada, mas acredito que existem traições e Traições . Será que trair em circunstâncias que nem nós próprios alguma vez pensamos estar (porque nunca pensamos nessa ideia) será o mesmo que criar um perfil, enviar mensagens mais ou menos eróticas a determinada pessoa que escolhemos com base na sua imagem corporal e, mais importante, querer manter um relacionamento sexual com ela fora do casamento de forma constante e duradoura, será exactamente a mesma coisa? No direito chamamos a isto Concubinato (seja ele duradouro ou não).
Não quero com isto dizer que certas traições são perdoáveis e outras não. A problemática de pular a cerca reveste-se de diversos aspectos que se complementam entre si (mentira, omissão etc.).
Acho que os casamentos ou os namoros são uma dura e infinita aprendizagem. Requerem paciência, amor, abnegação e (outra vez) muita paciência.
Secalhar é mesmo como dizem: é uma espécie de missão.
De facto, se olharmos á nossa volta de forma objectiva, apercebemo-nos de que nem todos somos casáveis. É uma questão de
lifestyle. Dá trabalho, mas também dá prazer.
E quem corre por gosto nunca se cansa, mesmo quando não consegue correr. Consegue sempre, basta querer.